Diante de você está a sede da Corte Suprema, do Conselho de Estado e de outras altas cortes da Colômbia. É o terceiro palácio de justiça da cidade, e a história dele explica por quê.

1Dois palácios destruídos

O primeiro, na Calle 11 com a Carrera 6, ardeu durante o Bogotazo de 1948. O segundo foi erguido aqui, no lado norte da praça. Em 6 de novembro de 1985, por volta das onze da manhã, um comando da guerrilha M-19 o invadiu e fez reféns cerca de 350 pessoas, entre magistrados, funcionários e visitantes.

A reação da Polícia e do Exército, com tanques na praça, durou cerca de 28 horas. Um incêndio de origem jamais esclarecida devorou boa parte do edifício e milhares de processos. Morreram cerca de cem pessoas, entre elas onze magistrados, incluindo o presidente da Corte Suprema, Alfonso Reyes Echandía.

2Os desaparecidos

O mais perturbador veio depois. Várias pessoas, sobretudo funcionários da cafeteria e algumas visitantes, foram filmadas ou vistas saindo com vida, sob custódia da força pública, e nunca voltaram para casa. Durante décadas foram consideradas desaparecidas. Alguns restos foram identificados em 2015 e 2017, às vezes em túmulos que levavam o nome de outras vítimas.

Em 2014, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Estado colombiano pelos desaparecimentos forçados e outras violações cometidas durante a retomada.

As ruínas ficaram de pé por vários anos antes de serem demolidas. O edifício que você vê foi construído depois, no mesmo terreno.

3O que observar

  • A inscrição da fachada, com uma frase atribuída a Santander sobre as armas e as leis.
  • A fachada quase fechada, de aspecto defensivo.
  • A Casa del Florero, na esquina leste da praça: para lá foram levados muitos dos resgatados para identificação.

Documentado

A tomada do M-19 e a retomada militar de 6 e 7 de novembro de 1985 causaram cerca de cem mortes; a Corte Interamericana condenou o Estado em 2014 por desaparecimentos forçados.

Fontes e créditos

Comisión de la Verdad sobre los hechos del Palacio de Justicia, «Informe final» (2010); Corte Interamericana de Direitos Humanos, caso Rodríguez Vera e outros (desaparecidos do Palácio de Justiça) vs. Colômbia, sentença de 14 de novembro de 2014; Ana Carrigan, «El Palacio de Justicia: una tragedia colombiana» (2009).

Fotografias:

  • Fachada do Palácio de Justiça no lado norte da Praça de Bolívar: José Luiz, CC BY-SA 4.0.

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