Você chegou ao fim da Rua Augusta e tem diante de si a porta de honra de Lisboa. Antes de atravessá-la, vire-se e olhe para a rua que acabou de percorrer.

1Uma cidade traçada com régua

Depois do terremoto de 1755, a equipe do marquês de Pombal, com Eugénio dos Santos e Carlos Mardel, redesenhou a Baixa com ruas retas e prédios de fachada uniforme. Muitas ruas foram dedicadas a ofícios: a Rua do Ouro para os ourives, a Rua da Prata para os prateiros. Dentro dos prédios usou-se a chamada gaiola pombalina, uma estrutura de madeira pensada para resistir a futuros terremotos.

2Um arco paciente

O arco foi projetado como remate dessa cidade nova, mas a sua história foi lenta. Uma primeira versão foi demolida em 1777, quando Pombal caiu. As obras só foram retomadas no século XIX, com o arquiteto Veríssimo José da Costa, e terminaram na década de 1870.

No alto, o escultor francês Célestin Anatole Calmels representou a Glória coroando o Gênio e o Valor. Mais abaixo, Vítor Bastos esculpiu quatro grandes figuras: Viriato, Nuno Álvares Pereira, Vasco da Gama e o próprio Pombal, junto a duas figuras deitadas que representam os rios Tejo e Douro.

A inscrição latina diz, em essência: «Às virtudes dos antepassados, para que sirvam a todos de ensinamento».

3O que observar

  • O grupo superior de Calmels, com a Glória e as suas coroas.
  • As quatro estátuas de personagens históricos, duas de cada lado.
  • O mirante do topo, aberto em 2013, de onde se vê a quadrícula da Baixa.

Documentado

O arco foi projetado depois de 1755, uma primeira versão foi demolida em 1777 e ele foi concluído na década de 1870, com projeto de Veríssimo José da Costa e esculturas de Calmels e Vítor Bastos.

Fontes e créditos

Visit Lisboa, Arco da Rua Augusta; Direção-Geral do Património Cultural, ficha do arco; José-Augusto França, «A Reconstrução de Lisboa e a Arquitectura Pombalina».

Fotografias:

  • Arco triunfal da Rua Augusta visto da Praça do Comércio: Diego Delso, CC BY-SA 3.0.

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