Repare nas duas sacadas de madeira à sua frente. São, provavelmente, as mais fotografadas de Lima, e resumem como nada o luxo da cidade do vice-reino.

1O marquês e sua casa

O palácio foi concluído em 1735 para José Bernardo de Tagle y Bracho, um rico cavalheiro do norte da Espanha que ocupou altos cargos militares e da fazenda real a serviço da Coroa. Em 1730, o rei Felipe V lhe concedeu o título de marquês de Torre Tagle. A casa precisava estar à altura.

2Andaluzia no Pacífico

O estilo é barroco, com fortes ecos andaluzes e mudéjares. A portada de pedra se abre para um saguão com azulejos sevilhanos e para um pátio com arcos. No andar de cima, as duas sacadas fechadas, entalhadas em cedro e mogno, permitiam olhar a rua sem ser visto, como as gelosias mouriscas. Muitos materiais vieram da Espanha, do Panamá e de outros pontos da América Central.

Um descendente do primeiro marquês, José Bernardo de Tagle y Portocarrero, chegou a presidente do Peru em 1823, nos anos confusos da independência.

Em 1918 o Estado peruano comprou o palácio dos herdeiros da família. Desde então é a sede do Ministério das Relações Exteriores, por isso você o verá tão bem cuidado e quase sempre fechado.

3O que observar

  • As duas sacadas: conte os vãos; uma tem três e a outra sete.
  • A portada de pedra, com seu arremate barroco sobre a porta.
  • O grande portão de madeira, com cravos de bronze e duas aldravas.
Gravura do século XIX da fachada do Palácio de Torre Tagle
O palácio numa gravura publicada por Manuel A. Fuentes na década de 1860.

Documentado

O palácio foi concluído em 1735 para o primeiro marquês de Torre Tagle e é sede do Ministério das Relações Exteriores desde 1918.

Fontes e créditos

Ministério das Relações Exteriores do Peru, história do Palácio de Torre Tagle; Ministério da Cultura do Peru, ficha de patrimônio; Manuel A. Fuentes, «Lima: apuntes históricos, descriptivos, estadísticos y de costumbres» (1867).

Fotografias:

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