Debruce-se sobre as ruínas à sua frente. Há quase dois mil anos, nesta encosta, os moradores de Olisipo, a Lisboa romana, se sentavam para assistir a comédias e tragédias com o rio ao fundo.
1Um teatro na colina
Os romanos aproveitaram o declive natural para apoiar as arquibancadas, como faziam em tantas cidades do Império. O teatro foi construído no tempo do imperador Augusto, quando Olisipo era um município próspero que a propaganda oficial chamava de Felicitas Iulia.
Uma inscrição encontrada aqui conta que, por volta do ano 57, um certo Caius Heius Primus, sacerdote do culto imperial, pagou a renovação do palco, da orquestra e da decoração, em honra de Nero. Curiosamente, o nome do imperador não foi apagado depois da sua queda, como aconteceu em tantos outros lugares.
2Redescoberto por acaso
Com a decadência da cidade romana, o teatro foi coberto de terra e de casas. Reapareceu em 1798, quando se abriam alicerces para prédios da reconstrução pós-terremoto. O arquiteto Francesco Saverio Fabri desenhou o que viu, mas as ruínas voltaram a ser soterradas. As escavações só foram retomadas no século XX, e hoje o sítio é um dos núcleos do Museu de Lisboa.
Os desenhos de Fabri, publicados em 1815, mostram o muro do palco quase inteiro: um testemunho do que se perdeu depois.
3O que observar
- A curva das arquibancadas: siga o semicírculo com os olhos e imagine para onde olhava o público.
- O muro do proscénio, a parte frontal do palco.
- A inclinação da rua: é a mesma encosta que os construtores romanos aproveitaram.
Documentado
O teatro de Olisipo é da época de Augusto e uma inscrição dedicada a Nero documenta a sua renovação por volta do ano 57; as ruínas foram descobertas em 1798.
Fontes e créditos
Museu de Lisboa – Teatro Romano (site oficial da EGEAC); Direção-Geral do Património Cultural, ficha do Teatro Romano; Lídia Fernandes, estudos sobre o teatro romano de Lisboa.
Fotografias:
- Ruínas do teatro romano de Lisboa sob a sua cobertura de proteção: Simon Burchell, CC BY-SA 4.0.
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