Diante de você está a igreja de São Domingos, fundada no século XIII. Por fora parece tranquila. Por dentro, as suas colunas contam outra história.
1Abril de 1506
Em 19 de abril de 1506, um domingo, Lisboa sofria com a seca e a peste. Durante uma missa nesta igreja, alguém garantiu ter visto um brilho milagroso num crucifixo. Um cristão-novo, judeu convertido à força, sugeriu que era apenas um reflexo de luz. A multidão o matou ali mesmo.
Instigada por alguns frades, a violência se espalhou pela cidade durante três dias contra os cristãos-novos. Os cronistas da época falam em milhares de mortos: Garcia de Resende fala em mais de quatro mil. O rei D. Manuel I, que estava fora de Lisboa, depois puniu os culpados e mandou executar os frades instigadores.
2As colunas queimadas
A igreja sofreu com o terremoto de 1755 e, em 13 de agosto de 1959, um incêndio devastou o seu interior. Quando ela reabriu, em 1994, decidiu-se não esconder as feridas: as colunas rachadas e as paredes enegrecidas continuam à vista.
Em 2008 foi inaugurado neste largo um memorial às vítimas judias de 1506. Lisboa escolheu lembrar.
3O que observar
- O memorial de 1506, com a estrela de Davi, no centro do largo.
- O muro da tolerância, com a mesma frase escrita em dezenas de línguas.
- O interior, se a igreja estiver aberta: as colunas avermelhadas e queimadas pelo fogo de 1959.

Documentado
O massacre de cristãos-novos começou nesta igreja em 19 de abril de 1506 e durou três dias; o incêndio de 1959 deixou as marcas visíveis no interior.
Fontes e créditos
Garcia de Resende, «Miscelânea»; Damião de Góis, «Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel»; Comunidade Israelita de Lisboa e Câmara Municipal de Lisboa, memorial de 2008.
Fotografias:
- Fachada da igreja de São Domingos no largo de mesmo nome: Diego Delso, CC BY-SA 3.0.
- Interior da igreja de São Domingos com as colunas danificadas pelo incêndio de 1959: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0.
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