Fique de frente para o prédio de colunas do lado norte, o Teatro Nacional D. Maria II. A sua elegância esconde o que existiu antes neste mesmo terreno.

1O palácio dos Estaus

Aqui ficava o palácio dos Estaus, construído em meados do século XV para hospedar embaixadores e nobres de passagem. Em 1571 tornou-se a sede da Inquisição portuguesa. Durante mais de dois séculos, as suas salas e celas receberam interrogatórios e processos contra cristãos-novos acusados de judaizar, supostos hereges, bígamos e pretensos feiticeiros.

A praça ao seu redor foi palco de autos de fé, cerimônias públicas em que as sentenças eram lidas diante da multidão. Aqui também houve execuções, como a dos nobres que conspiraram contra D. João IV em 1641.

2Um incêndio e um teatro

Extinta a Inquisição em 1821, o palácio teve outros usos até ser destruído por um incêndio em 1836. No seu lugar foi inaugurado, em 1846, o teatro nacional. Lisboa trocou o tribunal pelo palco.

3O rei que não é quem dizem

Olhe agora para a coluna central. Lá em cima está D. Pedro IV, rei de Portugal e, como D. Pedro I, primeiro imperador do Brasil. Durante décadas correu o boato de que a estátua tinha sido feita para Maximiliano do México e comprada em liquidação depois do seu fuzilamento.

Os historiadores descartam o boato: o monumento, inaugurado em 1870, traz símbolos portugueses desde a sua concepção.

4O que observar

  • O Teatro Nacional D. Maria II, no terreno do palácio da Inquisição.
  • A estátua de D. Pedro IV, a quase trinta metros de altura.
  • O chão em ondas, que parece se mexer sob os seus pés.
Gravura do antigo palácio da Inquisição no Rossio
O palácio dos Estaus, sede da Inquisição, numa gravura publicada em 1844.

Documentado

O palácio dos Estaus foi sede da Inquisição a partir de 1571, pegou fogo em 1836 e no seu terreno foi inaugurado em 1846 o Teatro Nacional D. Maria II.

Tradição oral

A ideia de que a estátua de D. Pedro IV foi feita para Maximiliano do México é um boato popular que os historiadores rejeitam.

Fontes e créditos

Teatro Nacional D. Maria II (história do edifício); Arquivo Nacional da Torre do Tombo, fundos do Tribunal do Santo Ofício; Museu de Lisboa, estudos sobre o monumento a D. Pedro IV.

Fotografias:

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