Antes de olhar para a catedral, abaixe os olhos. Em lixeiras, postes ou tampas de bueiro de Lisboa aparece sempre o mesmo desenho: um barco com um corvo na proa e outro na popa. A explicação está dentro deste edifício.

1Um mártir e os seus guardiões

São Vicente foi um diácono martirizado em Valência no início do século IV. Segundo a sua lenda, o corpo foi abandonado às feras, mas uns corvos o defenderam. Séculos depois, a tradição situa os seus restos no extremo sudoeste da península, no cabo que hoje leva o seu nome.

2A viagem de 1173

Em 1173, por vontade do rei D. Afonso Henriques, as relíquias foram levadas por mar até Lisboa e acabaram depositadas na capela-mor desta catedral. Até aqui, a história.

A lenda acrescenta que dois corvos acompanharam o barco durante toda a travessia, um na proa e outro na popa, vigiando o corpo do santo. Essa imagem passou para o brasão municipal, e São Vicente se tornou padroeiro de Lisboa.

A trasladação de 1173 está documentada; os corvos que escoltaram o barco são uma tradição, bonita e muito antiga.

Conta-se que a catedral manteve corvos vivos durante séculos, um costume que, segundo essas mesmas fontes, acabou no século XX.

3O que observar

  • O brasão de Lisboa: procure-o no mobiliário urbano do largo.
  • A fachada fortificada, que recebeu as relíquias do padroeiro.
  • A capela-mor, se você entrar: ali foram depositadas as relíquias do santo.

Documentado

As relíquias atribuídas a São Vicente chegaram a Lisboa em 1173 e são veneradas na catedral; o barco com dois corvos é o emblema da cidade.

Tradição oral

Os corvos que teriam escoltado o barco durante a viagem pertencem à lenda do santo.

Fontes e créditos

Visit Lisboa, «Uma barca e dois corvos: São Vicente, o antigo padroeiro de Lisboa»; Patriarcado de Lisboa, site da Sé; Câmara Municipal de Lisboa, heráldica municipal.

Fotografias:

  • Fachada da Sé de Lisboa com as duas torres ameadas e a rosácea: Palickap, CC BY-SA 4.0.

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