Olhe para cima: essa torre de ferro vazado, quase uma renda gótica de metal, é um dos elevadores urbanos mais fotografados da Europa. E nasceu para resolver um problema bem lisboeta: a ladeira.

1Uma solução para a colina

Entre a Baixa, plana e comercial, e o Largo do Carmo há um desnível considerável. No fim do século XIX, Lisboa resolveu as suas ladeiras com funiculares e elevadores, e este foi o mais ousado: uma torre vertical ligada à colina por uma passarela.

O projeto foi do engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard, nascido no Porto, de família francesa. As obras começaram em 1900 e o elevador foi aberto ao público em 10 de julho de 1902. No início funcionava com uma máquina a vapor; em 6 de novembro de 1907 passou a ser elétrico.

2O mito de Eiffel

Muita gente vai lhe dizer que Mesnier foi discípulo de Gustave Eiffel. Isso não está provado. O que é certo é que o elevador usa técnicas e materiais da arquitetura do ferro que fazia sucesso na França naquela época.

Desde 2002 o Elevador de Santa Justa é monumento nacional, e continua funcionando como transporte público.

3O que observar

  • A decoração neogótica da estrutura: arcos ogivais e rosáceas de ferro.
  • A passarela superior, que salta por cima das casas até o Carmo.
  • As cabines de madeira e latão, que sobem e descem por dentro da torre.

Documentado

O elevador, projetado por Raoul Mesnier du Ponsard, foi inaugurado em 10 de julho de 1902 e eletrificado em 1907.

Tradição oral

A suposta ligação de Mesnier com Gustave Eiffel é uma crença popular sem prova documental.

Fontes e créditos

Carris, história do Elevador de Santa Justa; Direção-Geral do Património Cultural, ficha do monumento; Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa Cultura.

Fotografias:

  • Torre de ferro neogótica do Elevador de Santa Justa: Diego Delso, CC BY-SA 4.0.

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