Olhe o chão que você pisa: ele não existia há cento e cinquenta anos. Todo este passeio, com seu jardim e os edifícios que o ladeiam, foi construído sobre terrenos conquistados ao mar.

1Aterrar a baía

No fim do século XIX o porto foi ampliado com um projeto do engenheiro Rafael Yagüe. Construíram-se novos cais e ganhou-se uma faixa de terra, aterrada com o entulho das casas demolidas na encosta da Alcazaba e com o lodo do rio Guadalmedina. As obras custaram tanto que se falou em vender os terrenos, mas o político malaguenho Antonio Cánovas del Castillo conseguiu que o Estado adiantasse o dinheiro, e os terrenos acabaram nas mãos da cidade.

2Um jardim dos cinco continentes

O plantio começou em 1899. Hoje o parque reúne espécies do mundo todo, como a paineira, de tronco bojudo e cheio de espinhos. É considerado um dos jardins de flora subtropical mais notáveis da Europa.

No lado norte do passeio foram alinhados edifícios oficiais. O primeiro foi a Prefeitura, a “Casona del Parque”, de Fernando Guerrero Strachan e Manuel Rivera Vera, inaugurada em 11 de abril de 1919. Depois vieram os Correios, hoje reitoria da universidade, e o Banco de España, de 1936.

Antes deste edifício, a Prefeitura chegou a ocupar a praça principal, conventos e palácios: levou quatro séculos para ter casa própria.

3O que observar

  • As cúpulas de escamas de zinco nas esquinas da Prefeitura.
  • A decoração da fachada, neobarroca com detalhes modernistas.
  • As árvores gigantes do parque, algumas plantadas há mais de um século.

Documentado

O parque foi plantado a partir de 1899 sobre terrenos conquistados ao mar; a Prefeitura foi inaugurada em 11 de abril de 1919.

Fontes e créditos

Prefeitura de Málaga, Área de Turismo e Parques e Jardins; Junta de Andalucía, declaração BIC da Casa Consistorial (2010); M.ª Eugenia Candau e outros, Málaga. Guía de arquitectura (2005).

Fotografias:

  • Prefeitura de Málaga e o Passeio do Parque vistos do alto: Viktar Palstsiuk, CC BY-SA 4.0.

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