Poucos passos separam a esplanada lotada de turistas desta rua silenciosa. Seu nome lembra que aqui ficava o claustro dos cônegos de Notre-Dame, um bairro fechado onde moravam os clérigos da catedral e que tinha regras próprias.

1Uma história de amor documentada

Neste claustro vivia, no começo do século XII, o cônego Fulberto com a sobrinha Heloísa, uma jovem de cultura excepcional. Fulberto contratou como professor o filósofo Pedro Abelardo, e mestre e aluna se apaixonaram. A história terminou em tragédia: Fulberto mandou castrar Abelardo, e os dois acabaram na vida religiosa. Sabemos disso pelas cartas que eles mesmos escreveram, um dos grandes textos da Idade Média.

2O barbeiro e o confeiteiro

Bem mais duvidosa é a outra história da rua. Conta a lenda que, no fim do século XIV, na desaparecida rue des Marmousets, um barbeiro degolava alguns clientes e o confeiteiro vizinho usava a carne em tortas muito apreciadas. O crime teria sido descoberto pelos uivos do cachorro de uma das vítimas.

Nenhum documento judicial da época confirma o caso. Jacques du Breul o registrou em 1612, e desde então a história nunca parou de ser contada.

A rue des Marmousets desapareceu com as reformas do século XIX, e a tradição hoje situa o local do crime nesta rua, perto do número 20. Muitos veem aqui um ancestral de Sweeney Todd.

3O que observar

  • As casas dos números 22 e 24, entre as mais antigas da ilha.
  • Os portões de carruagem do antigo bairro dos cônegos.
  • As torres de Notre-Dame aparecendo sobre os telhados.

Documentado

A rua ocupa o antigo claustro dos cônegos de Notre-Dame, onde viveram Fulberto e Heloísa no século XII, segundo a correspondência de Abelardo e Heloísa.

Tradição oral

O crime do barbeiro e do confeiteiro da rue des Marmousets não aparece em documentos judiciais da época: é uma lenda transmitida desde o século XVII.

Fontes e créditos

Jacques Hillairet, «Dictionnaire historique des rues de Paris» (rue Chanoinesse); «Cartas de Abelardo e Heloísa»; Jacques du Breul, «Le Théâtre des antiquités de Paris» (1612).

Fotografias:

  • Fachada coberta de glicínias na esquina da rue Chanoinesse: Chris Waits, CC BY 2.0.

Viu algum erro? Escreva para a gente e vamos revisar.