Diante de você está uma das poucas mesquitas otomanas que Atenas conserva. Ela foi mandada construir em 1759 por Mustafá Agá Tzistarakis, o voivoda, ou seja, o governador otomano da cidade. E com ela chegou uma das histórias mais sombrias do bairro.
1A coluna maldita
Para obter cal para a obra, o governador teria mandado queimar uma coluna antiga. A tradição ateniense garante que ele a tirou do Templo de Zeus Olímpico; alguns pesquisadores acham mais provável que viesse da vizinha Biblioteca de Adriano. Destruir antiguidades sem autorização era ilegal até para um governador, e Tzistarakis foi destituído.
Naquele mesmo ano, uma epidemia de peste atingiu a cidade. Muitos atenienses, cristãos e muçulmanos, a relacionaram ao sacrilégio: diziam que, ao derrubar a coluna, o governador tinha libertado os espíritos que moravam nela.
A destituição é um fato; a coluna que desencadeou a peste pertence à memória do bairro.
2Uma mesquita de mil usos
Depois da independência, o edifício perdeu o minarete e foi depósito, quartel e prisão. Em março de 1834 recebeu até um baile em homenagem ao rei Oto. Desde 1918 funciona como museu, e hoje abriga a coleção de cerâmica Kyriazopoulos do Museu de Arte Popular Grega.
3O que observar
- A cúpula sobre o corpo quadrado, típica das mesquitas otomanas.
- O pórtico de arcos da fachada, coberto por pequenas cúpulas.
- A Biblioteca de Adriano, à esquerda, de onde talvez tenha saído a coluna.
Documentado
Mustafá Agá Tzistarakis construiu a mesquita em 1759 e foi destituído por destruir uma coluna antiga; naquele ano houve uma epidemia em Atenas.
Tradição oral
A relação entre a coluna destruída e a peste é uma crença popular; também é incerto se a coluna vinha do Olimpieion.
Fontes e créditos
Museu de Arte Popular e Tradição Grega, mesquita de Tzistarakis (site oficial); Dimitrios Kambouroglou, «História dos atenienses. Turcocracia» (1889-1896); Ministério da Cultura da Grécia, monumentos otomanos de Atenas.
Fotografias:
- Mesquita de Tzistarakis com sua cúpula na praça Monastiraki: George E. Koronaios, CC BY-SA 4.0.
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