Diante de você se ergue a igreja mais importante de Bruxelas, numa colina que domina a cidade baixa. Em 2026 completam-se oito séculos do início das obras do coro gótico, começado em 1226 sob o duque Henrique II de Brabante.
1Dois santos para uma cidade
Já existia aqui uma igreja dedicada a São Miguel quando, em 1047, o conde Lamberto II de Lovaina transferiu para ela as relíquias de Santa Gudula, uma santa local muito venerada. Desde então o templo leva os dois nomes. São Miguel, que vence o dragão, é também o padroeiro da cidade: você vai vê-lo no alto da torre da Prefeitura.
2Uma obra de três séculos
A construção avançou devagar. As torres da fachada foram erguidas por volta de 1470–1485 e são atribuídas a Jan van Ruysbroeck, o mesmo mestre da torre da Prefeitura. Nunca receberam as flechas previstas, daí sua silhueta reta. O templo só virou catedral em 1962, quando passou a dividir esse posto com a de Malines. Aqui foram celebrados casamentos reais como o de Balduíno e Fabíola, em 1960, e o de Filipe e Matilde, em 1999.
Em 2026 a catedral instalou novas placas que reconhecem como antissemita a lenda contada em seus vitrais do «Sacramento do Milagre».
Esses vitrais do século XIX narram a acusação de 1370 contra judeus de Bruxelas, que terminou em execuções. Hoje a Igreja a apresenta como uma acusação sem fundamento.
3O que observar
- As duas torres truncadas, sem flechas.
- O grande janelão central, que ocupa o lugar de uma rosácea.
- A escadaria, que vence o desnível da colina.
Documentado
O coro gótico foi iniciado em 1226, as relíquias de Santa Gudula chegaram em 1047 e o templo é cocatedral desde 1962; em 2026 foram instaladas placas que reconhecem o caráter antissemita dos vitrais do Sacramento do Milagre.
Fontes e créditos
Cathédrale des Saints Michel et Gudule, site oficial (cathedralisbruxellensis.be); Arquidiocese de Malines-Bruxelas, comunicado de abril de 2026 sobre o Sacramento do Milagre; RTBF e La Libre Belgique (abril de 2026).
Fotografias:
- Fachada oeste da Catedral de São Miguel e Santa Gudula, com suas duas torres: Alvesgaspar, CC BY-SA 3.0.
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