Diante de você se abre a praça que os lisboetas, por costume, ainda chamam de Terreiro do Paço: o terreiro do palácio. Esse palácio não existe mais, e o seu desaparecimento explica tudo o que você vê.

1O palácio à beira do rio

Por volta de 1511, o rei D. Manuel I deixou a velha residência do castelo e se instalou aqui, no Paço da Ribeira, junto à água, onde chegavam as naus da Índia. Durante mais de dois séculos este foi o centro do poder. Por uma de suas janelas terminou o domínio dos Filipes: em 1º de dezembro de 1640, os conjurados atiraram por ela o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos.

21755: terremoto, maremoto e incêndio

Na manhã de 1º de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos, um terremoto sacudiu Lisboa. Vieram em seguida uma onda que entrou pelo Tejo e um incêndio que durou dias. O palácio e a sua biblioteca, com dezenas de milhares de volumes, desapareceram.

O ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, comandou uma reconstrução racional: ruas retas, prédios iguais e uma praça aberta para o rio, projetada por Eugénio dos Santos. Já não seria a praça do palácio, mas a do Comércio.

Em 1º de fevereiro de 1908, na esquina oeste desta praça, junto à Rua do Arsenal, foram assassinados o rei D. Carlos I e o seu herdeiro, D. Luís Filipe.

3O que observar

  • A estátua equestre de D. José I, de Joaquim Machado de Castro, inaugurada em 1775. Repare no cavalo pisando serpentes.
  • O Cais das Colunas, os dois pilares e a escadaria junto à água: a entrada solene de Lisboa pelo rio.
  • As arcadas: debaixo delas continua aberto o café Martinho da Arcada, que Fernando Pessoa frequentava.

Documentado

O Paço da Ribeira foi residência real desde o início do século XVI e ficou destruído em 1755; a estátua de D. José I foi inaugurada em 6 de junho de 1775 e o regicídio aconteceu em 1º de fevereiro de 1908.

Fontes e créditos

Direção-Geral do Património Cultural (ficha da Praça do Comércio); Câmara Municipal de Lisboa, Lisboa Cultura; José-Augusto França, «Lisboa Pombalina e o Iluminismo».

Fotografias:

  • Estátua equestre de D. José I na Praça do Comércio, diante dos prédios amarelos com arcadas: Alvesgaspar, CC BY-SA 3.0.

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