Diante de você está o primeiro cemitério protestante da Espanha. Para entender por que ele chama tanta atenção, é preciso saber o que acontecia antes que existisse.

1Enterros na areia

No começo do século XIX viviam em Málaga cada vez mais comerciantes britânicos, atraídos pelo vinho e pelas passas. Mas quem não era católico não podia ser sepultado em solo sagrado: nem em igrejas, nem em conventos, nem nos cemitérios paroquiais. A solução era sombria: eles eram enterrados na praia, à noite. As ondas e os cães às vezes deixavam os restos expostos.

2A obstinação do cônsul Mark

William Mark, cônsul britânico desde 1824, decidiu acabar com aquilo. Depois de vencer a resistência da Junta de Saúde, conseguiu do governador um terreno municipal junto ao caminho de Vélez, com vista para o mar. Uma Real Ordem de Fernando VII, de 1830, deu a autorização, e o cemitério começou a ser usado por volta de 1831. O túmulo dele, com uma coluna de mármore vermelho e o lema “Vincit omnia veritas”, está lá dentro.

Uma das primeiras sepulturas foi a de Robert Boyd, um jovem irlandês que havia financiado a expedição do general Torrijos e foi fuzilado com ele em dezembro de 1831. Também descansam aqui o escritor Gerald Brenan e o poeta Jorge Guillén.

Hans Christian Andersen o visitou durante sua viagem pela Espanha e o descreveu com admiração no livro que publicou em 1863.

3O que observar

  • Os leões de mármore sobre os pilares da entrada.
  • A casa do guarda, neogótica, com a data de 1856.
  • A vegetação exuberante que desponta por cima do muro, um jardim botânico em terraços.
Gravura antiga do Cemitério Inglês de Málaga na encosta
O cemitério numa gravura do século XIX.

Documentado

Antes de 1830 os não católicos eram enterrados na praia; o cemitério foi criado graças ao cônsul William Mark, com uma Real Ordem de 1830.

Tradição oral

Os relatos de aparições e fantasmas que circulam sobre o cemitério não têm nenhuma base documental.

Fontes e créditos

Fundación Cementerio Inglés de Málaga (cementerioinglesmalaga.org); Junta de Andalucía, declaração BIC (2012); Hans Christian Andersen, Viagem pela Espanha (1863).

Fotografias:

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