Você está na Rua das Flores, uma rua que o rei Manuel I mandou abrir no século XVI e que logo se encheu de casas nobres e ourives. Diante de você, a igreja da Santa Casa da Misericórdia, a grande instituição de caridade da cidade.
1Uma fachada de Nasoni
A primeira igreja começou a ser construída em 1555. Em abril de 1621, um raio destruiu a fachada, e a que você vê é a reconstrução projetada por Nicolau Nasoni em 1748: barroca, com detalhes rococó e a data de 1750 na cartela central.
2O quadro sem assinatura
O tesouro da casa é o Fons Vitae, a «Fonte da Vida», um grande painel a óleo sobre carvalho com mais de dois metros e meio de altura. Mostra Cristo crucificado, cujo sangue enche uma fonte, e embaixo, ajoelhados, o rei Manuel I e sua família. É datado de cerca de 1515-1517 e foi pintado na Flandres.
Hoje é atribuído a Colijn de Coter, mas estudos técnicos detectaram mais de uma mão no desenho, e a autoria continua em aberto.
Quem o encomendou, como chegou da Flandres e quem o pintou de fato são perguntas que os historiadores da arte ainda discutem. É um mistério sem fantasmas, mas um mistério de verdade.
3O que observar
- A cartela com a data de 1750 no alto da fachada.
- Os pináculos e a cruz que coroam a fachada barroca.
- As varandas de ferro das casas vizinhas da Rua das Flores.

Documentado
A fachada atual é de Nasoni (projeto de 1748, data de 1750); o Fons Vitae é datado de cerca de 1515-1517 e atribuído a Colijn de Coter, atribuição que os estudos técnicos matizam.
Fontes e créditos
Santa Casa da Misericórdia do Porto, Museu e Igreja da Misericórdia (MMIPO); Universidade Católica Portuguesa, estudo técnico do Fons Vitae (repositório institucional); Direção-Geral do Património Cultural.
Fotografias:
- Fachada barroca da igreja da Misericórdia na Rua das Flores: Manuel de Sousa, Dominio público.
- Painel do Fons Vitae com Cristo crucificado e a família de Manuel I ajoelhada: Halley Oliveira, CC BY-SA 2.0.
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