Diante de você está o prédio mais teatral do século XIX bruxelense. Parece um templo romano e, de certa forma, era: um templo dedicado ao comércio e ao dinheiro.

1Um rio sob o bulevar

Durante séculos, por aqui perto corria o Senne, o rio que deu vida a Bruxelas e que acabou virando um esgoto a céu aberto. Na década de 1860 a cidade decidiu cobri-lo e abrir por cima grandes bulevares no estilo de Paris. A Bolsa, construída entre 1868 e 1873 pelo arquiteto Léon Suys, foi a joia daquela transformação. Entre os escultores que decoraram a fachada estava um jovem Auguste Rodin.

A Bolsa funcionou aqui até 2015. Depois de uma longa restauração, o prédio reabriu em 2023 com um espaço dedicado à cultura cervejeira belga, o Belgian Beer World.

Sob seus pés, o sítio Bruxella 1238 conserva restos do convento franciscano onde foi sepultado o duque João I de Brabante.

2Um duque com fama de cervejeiro

Esse duque, morto em 1294, tem uma lenda curiosa: a tradição o identifica com Gambrinus, o mítico rei da cerveja. É só uma tradição, mas combina bem com o que o prédio abriga hoje.

A esplanada virou ponto de encontro: aqui se comemora, se protesta e se espera os amigos desde que o bulevar passou a ser só de pedestres.

3O que observar

  • O frontão, com seu grupo alegórico de figuras.
  • Os leões que ladeiam a escadaria.
  • A esplanada de pedestres, sobre o antigo leito coberto.

Documentado

A Bolsa foi construída entre 1868 e 1873 segundo o projeto de Léon Suys, dentro das obras que cobriram o Senne, e Rodin participou de sua decoração.

Tradição oral

A identificação do duque João I de Brabante com Gambrinus, rei lendário da cerveja, é uma tradição.

Fontes e créditos

Ville de Bruxelles, «La Bourse» (brussels.be); Bruxella 1238, museu arqueológico municipal; Inventaire du patrimoine architectural de la Région de Bruxelles-Capitale, ficha «Bourse».

Fotografias:

  • Fachada e escadaria do prédio da Bolsa de Bruxelas: Guy Delsaut, CC BY-SA 4.0.

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