Repare nesse arco em ferradura de aduelas vermelhas e brancas: é a porta mais antiga da Mesquita e o modelo de todas as que vieram depois. Os cordobeses a chamam de San Esteban, mas seu nome andalusino era Bab al-Wuzara, a porta dos Vizires. Provavelmente era por aqui que entravam o emir e seus funcionários, vindos do alcázar, que ficava bem em frente.
1Do emirado ao califado
Abd al-Rahman I, o príncipe omíada que escapou do massacre de sua família em Damasco e fundou em 756 o emirado de Córdoba, começou a mesquita em 785. Ela ficou pronta em menos de dois anos, reaproveitando colunas e capitéis romanos e visigodos. Seus sucessores a ampliaram três vezes: Abd al-Rahman II, al-Hakam II, com seu célebre mihrab, e Almançor, no fim do século X. A essa altura Abd al-Rahman III já tinha se proclamado califa, em 929, e Córdoba era uma das cidades mais populosas e cultas da Europa.
A inscrição cúfica desta porta, do ano 855, é o texto islâmico mais antigo conservado no edifício.
21236: a mesquita vira catedral
Em 29 de junho de 1236 Fernando III entrou na cidade, e a mesquita foi consagrada como igreja dedicada a Santa Maria. Durante três séculos quase nada mudou. Em 1523 começou, sob fortes protestos do conselho municipal, a grande nave renascentista que hoje desponta no meio da floresta de colunas. A visita ao interior costuma exigir ingresso; confira no site do Cabido.
3O que observar
- As aduelas alternadas de pedra e tijolo.
- A inscrição que percorre o arco.
- As treliças de pedra dos dois lados.
Documentado
A mesquita foi iniciada em 785 sob Abd al-Rahman I; a inscrição da Porta de Santo Estêvão data de 855 e o templo foi consagrado como igreja após a conquista de 1236.
Fontes e créditos
Cabido da Catedral de Córdoba, site oficial da Mesquita-Catedral (mezquita-catedraldecordoba.es); Manuel Nieto Cumplido, La Catedral de Córdoba (Cajasur, 1998); UNESCO, Historic Centre of Cordoba (whc.unesco.org).
Fotografias:
- Porta de Santo Estêvão na fachada oeste da Mesquita, com arco em ferradura de aduelas alternadas vermelhas e brancas: José Luis Filpo Cabana, CC BY 4.0.
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