Diante de você está um dos prédios mais estranhos da Colômbia. Parece uma catedral flamenga levada para os trópicos, e de certa forma é isso mesmo.

1O belga que chegou em 1920

Em fevereiro de 1920, o governo de Antioquia contratou o arquiteto belga Agustín Goovaerts, que chegou a Medellín em 10 de março. Sua primeira grande encomenda foi este palácio para o governo do departamento, então chamado Palacio Calibío. Ele o desenhou em estilo neogótico, com paredes em faixas alternadas e torrezinhas, algo nunca visto na cidade.

2Um projeto grande demais

O plano era enorme e o dinheiro, curto. As crises econômicas da época frearam as obras, e Goovaerts voltou para a Bélgica em 1928. Seus sucessores tiveram de cortar o orçamento e, em 1938, a construção foi suspensa com o lado norte inacabado. As fachadas só foram concluídas em 1970, e sem seguir totalmente os planos originais.

Daquele palácio sonhado só se ergueu uma parte: o que você vê é o fragmento de um prédio muito maior.

Em 1982 foi declarado monumento nacional. Em 1987 o governo departamental mudou-se para o centro administrativo La Alpujarra, e o prédio virou centro cultural com o nome de Rafael Uribe Uribe, general liberal da Guerra dos Mil Dias. Gabriel García Márquez contou que esse general inspirou em parte o coronel Aureliano Buendía.

3O que observar

  • A fachada quadriculada, com suas faixas alternadas.
  • A cúpula metálica, cuja estrutura veio da Bélgica.
  • Os arcos ogivais de portas e janelas, assinatura neogótica de Goovaerts.

Documentado

Goovaerts chegou a Medellín em 1920 para trabalhar para o governo departamental; a obra foi suspensa inacabada em 1938 e as fachadas foram concluídas em 1970.

Fontes e créditos

Mercedes Lucía Vélez White, «Agustín Goovaerts y la arquitectura en Medellín» (1994); Alberto Escovar, «Guías Elarqa de arquitectura de Medellín» (2006); Instituto de Cultura y Patrimonio de Antioquia.

Fotografias:

  • Palácio da Cultura Rafael Uribe Uribe, com sua fachada quadriculada, ao lado do viaduto do metrô: Motero Colombia, CC BY-SA 4.0.

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