Hoje esta praça recebe pistas de patinação no inverno, telões e manifestações. Mas seu nome antigo, praça de Grève, tinha um eco sinistro na França. «Grève» quer dizer areal: aqui havia uma faixa de areia à beira do Sena, onde os barcos atracavam e as mercadorias eram descarregadas.
1De cais a cadafalso
Durante séculos, a praça foi o grande palco das execuções públicas de Paris. Em 27 de maio de 1610, François Ravaillac, o assassino de Henrique IV, foi esquartejado aqui. Em 1676, morreu nela a marquesa de Brinvilliers, condenada por envenenar o pai e os irmãos, no prelúdio do famoso «caso dos venenos». E em 25 de abril de 1792 a guilhotina estreou nesta praça, com a execução de um assaltante chamado Nicolas Jacques Pelletier.
2Uma palavra que nasceu aqui
Os operários sem trabalho se reuniam no areal à espera de alguém que os contratasse. «Faire grève», ficar na Grève, acabou significando em francês «fazer greve». É daí que vem também a palavra portuguesa. A praça recebeu o nome atual em 1803.
A prefeitura que você vê não é a original: o palácio renascentista pegou fogo em maio de 1871, durante a Comuna, e foi reconstruído nos anos seguintes com aparência muito parecida.
3O que observar
- As estátuas da fachada, que representam personalidades nascidas em Paris e cidades francesas.
- O relógio central e o campanário que o coroa.
- A margem do Sena, onde ficava o areal que deu nome à praça.

Documentado
Ravaillac foi executado aqui em 1610, a Brinvilliers em 1676, e a primeira guilhotina foi usada em 25 de abril de 1792; a prefeitura pegou fogo em 1871 e foi reconstruída.
Fontes e créditos
Prefeitura de Paris (paris.fr), história do Hôtel de Ville; Jacques Hillairet, «Dictionnaire historique des rues de Paris»; Daniel Arasse, «La guillotine et l'imaginaire de la Terreur» (1987).
Fotografias:
- Prefeitura de Paris vista do Sena: DXR, CC BY-SA 3.0.
- Ruínas da prefeitura de Paris após o incêndio de 1871: Charles Marville, Dominio público.
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