Repare nesse relevo escuro na parede e nas velas que quase sempre ardem aos seus pés. Não é enfeite: é uma das memórias mais dolorosas do Porto, e os moradores cuidam dela há mais de dois séculos.

1Uma ponte feita de barcos

Antes das pontes de ferro, a cidade se ligava a Vila Nova de Gaia por uma ponte flutuante. O engenheiro Carlos Amarante a projetou com uns vinte barcos presos entre si, e ela foi inaugurada em 15 de agosto de 1806.

2A manhã de 29 de março de 1809

As tropas francesas do marechal Soult, na segunda invasão napoleônica de Portugal, entraram no Porto. Milhares de pessoas correram para o rio tentando chegar à outra margem. A ponte não aguentou o peso da multidão e afundou. Quantos morreram nunca se soube ao certo: há historiadores que falam em algumas centenas e relatos que passam de quatro mil.

A cidade não ergueu um monumento grandioso, e sim umas «alminhas»: um pequeno altar para rezar pelas almas que o rio levou.

As alminhas são uma devoção bem portuguesa: retábulos de rua dedicados às almas do purgatório. O relevo atual, de bronze, é obra do escultor José Joaquim Teixeira Lopes, pai do célebre António Teixeira Lopes, e data de 1897.

3O que observar

  • As cenas do relevo: os cavaleiros franceses, a multidão sobre a ponte, os corpos na água e, no alto, a figura divina entre nuvens.
  • As velas e as flores, que os moradores continuam renovando.
  • O rio, bem em frente: imagine aqui a ponte de barcas rumo a Gaia.

Documentado

A ponte de barcas foi inaugurada em 1806 e afundou em 29 de março de 1809, durante a invasão de Soult; o relevo de bronze é de José Joaquim Teixeira Lopes (1897).

Fontes e créditos

Diário de Notícias, «As Alminhas da Ponte não deixam esquecer a tragédia da Ponte das Barcas»; Universidade do Porto, ficha de José Joaquim Teixeira Lopes; Câmara Municipal do Porto, Porto Património Mundial.

Fotografias:

  • Relevo de bronze das Alminhas da Ponte com a tragédia de 1809: Joseolgon, CC BY 4.0.

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