Fique de frente para as duas igrejas e procure o vão entre elas. Essa faixa estreita com uma porta e umas janelinhas não é um muro: é uma casa, com pouco mais de um metro de largura, considerada a mais estreita do Porto.
1Duas igrejas, duas comunidades
A igreja da esquerda, a dos Carmelitas, é a mais antiga: pertencia ao convento das freiras carmelitas descalças e foi erguida no século XVII. A da direita, a do Carmo, foi construída entre 1756 e 1768 pela Ordem Terceira do Carmo, segundo o projeto de José Figueiredo Seixas.
2Por que uma casa no meio?
A explicação mais sólida é normativa: na época não se permitia que duas igrejas dividissem a mesma parede, e a casa resolvia o problema. Mas a versão que todo mundo conta é outra, mais romanesca.
Segundo a tradição, a casa foi colocada no meio para que freiras e frades não tivessem nenhum contato.
Hoje a casa pode ser visitada por dentro, como parte do percurso pago da igreja do Carmo. De fora, basta saber para onde olhar.
3O que observar
- A porta e as janelas minúsculas entre as duas fachadas.
- O painel de azulejos na lateral do Carmo, de 1912, desenhado por Silvestre Silvestri e pintado por Carlos Branco: narra a fundação da ordem do Carmo.
- A diferença de estilos entre a sobriedade dos Carmelitas e a exuberância rococó do Carmo.
Documentado
A igreja do Carmo foi construída entre 1756 e 1768 ao lado da dos Carmelitas; entre as duas existe uma casa estreita, com algo entre um metro e um metro e meio de largura, conforme a fonte.
Tradição oral
Que a casa tenha sido construída para impedir o contato entre freiras e frades é tradição popular; a explicação documental aponta a proibição de duas igrejas dividirem parede.
Fontes e créditos
Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo (percurso «Carmo»); Direção-Geral do Património Cultural, monumento nacional desde 2013; Visit Porto, fichas das igrejas do Carmo e dos Carmelitas.
Fotografias:
- As igrejas dos Carmelitas e do Carmo, com a casa estreita entre elas: Dale Cruse, CC BY 4.0.
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