Diante de você está a ponte mais famosa do Japão, embora à primeira vista seja difícil acreditar: uma via expressa de concreto passa a poucos metros do seu parapeito. Repare bem, porque era aqui que o país literalmente começava.

1Onde nasciam as estradas

A primeira ponte de madeira foi construída por volta de 1603, o mesmo ano em que Tokugawa Ieyasu foi nomeado xogum. Pouco depois, ficou estabelecido aqui o ponto de partida das cinco grandes estradas de Edo, entre elas a Tōkaidō, que levava a Quioto. Ao redor cresceu o bairro comercial mais rico da cidade, e na margem norte funcionou durante séculos o mercado de peixe, até que o terremoto de 1923 o arrasou e ele acabou transferido para Tsukiji.

A ponte de madeira pegou fogo e foi refeita muitas vezes. A que você está pisando é de pedra, com dois arcos, e foi inaugurada em 3 de abril de 1911. A decoração foi encomendada à Escola de Belas-Artes de Tóquio: Watanabe Osao modelou os leões, que protegem a cidade, e os kirins, animais míticos que têm asas, segundo a explicação mais comum, para «voar» daqui para todo o Japão.

2Uma ponte na sombra

Em 1963, na correria para os Jogos Olímpicos do ano seguinte, a via expressa metropolitana foi construída sobre o rio. Desde então a ponte vive na penumbra, e há um projeto em andamento para enterrar esse trecho da via.

As placas com o nome da ponte trazem a caligrafia de Tokugawa Yoshinobu, o último xogum.

3O que observar

  • Os kirins alados nos postes do centro da ponte.
  • A réplica do marco zero das rodovias do Japão, na esquina noroeste; o original está embutido no meio da pista.
  • Os leões com brasão nas extremidades, que seguram o emblema de Tóquio.
Kirin alados de bronze em um poste da ponte Nihonbashi
Segundo a explicação mais comum, os kirin têm asas para «voar» daqui para todo o Japão.
Gravura de Hiroshige da ponte Nihonbashi ao amanhecer
Nihonbashi, primeira estampa de «As cinquenta e três estações do Tōkaidō», de Hiroshige, por volta de 1833–1834.

Documentado

A atual ponte de pedra foi inaugurada em 1911, substitui uma longa série de pontes de madeira desde 1603 e é Bem Cultural Importante desde 1999.

Fontes e créditos

Prefeitura de Chūō, ficha de bens culturais «Nihonbashi»; Agência de Assuntos Culturais do Japão, banco de dados de bens culturais; Edward Seidensticker, «Low City, High City» (1983).

Fotografias:

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