Agora você está em Bayn al-Qasrayn, «entre os dois palácios». Aqui se erguiam, frente a frente, os dois grandes palácios dos califas fatímidas. Quando a dinastia caiu, os terrenos foram ocupados por mesquitas, escolas e mausoléus dos sultões.
1Uma obra recorde
A fachada à sua frente mede cerca de 67 metros. Foi erguida a mando do sultão mameluco al-Mansur Qalawun entre 1284 e 1285, em apenas uns treze meses, segundo os cronistas. Para cumprir o prazo, o emir que dirigia as obras, Sanjar al-Shujai, obrigou quem passava pela rua a trabalhar e se apropriou ilegalmente de terrenos. Al-Maqrizi, o grande historiador da cidade, registrou o escândalo um século depois.
O conjunto reunia três edifícios: uma madraça, o mausoléu do sultão e, sobretudo, um grande hospital, ou bimaristão, aberto a todos. Funcionou por mais de quinhentos anos, até ser demolido em 1910.
2Ecos góticos
As janelas geminadas e o minarete lembram a arquitetura dos cruzados, que os mamelucos combatiam na Síria. O minarete atual foi refeito por al-Nasir Muhammad, filho de Qalawun, depois do terremoto de 1303. No prédio vizinho, a madraça de al-Nasir exibe um pórtico gótico de mármore trazido de uma igreja de Acre, a cidade cruzada conquistada em 1291.
Naguib Mahfouz deu o título «Entre os dois palácios» ao primeiro romance de sua célebre trilogia do Cairo, ambientada neste bairro.
3O que observar
- As janelas de arcos ogivais da fachada.
- O minarete e seus andares de formas diferentes.
- O pórtico gótico da madraça vizinha.

Documentado
O complexo foi construído em 1284-1285, seu hospital funcionou até 1910 e o pórtico gótico da madraça vizinha veio de Acre.
Fontes e créditos
Al-Maqrizi, «Al-Mawaiz wa al-Itibar» (Khitat), século XV; Doris Behrens-Abouseif, «Cairo of the Mamluks» (2007); Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, portal egymonuments.gov.eg.
Fotografias:
- Fachada do complexo de Qalawun com janelas de arcos ogivais e seu minarete, na rua al-Muizz: Casual Builder, CC BY-SA 3.0.
- Fotografia antiga da cúpula e do minarete do complexo de Qalawun: K. A. C. Creswell, Dominio público.
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