Dê alguns passos e olhe para os dois lados: poucos lugares no mundo conservam uma rua inteira ladeada por muros incas originais. Esta passagem, muitas vezes chamada em quíchua de Intik'ijllu, «o beco do Sol», ligava a grande praça ao bairro do Qorikancha.

1O palácio da serpente

O muro do lado da igreja da Companhia pertencia, segundo as crônicas, a Amarukancha, «o recinto da serpente», atribuído ao inca Huayna Cápac, pai de Huáscar e Atahualpa. Depois da conquista, o terreno ficou com a família Pizarro e mais tarde com os jesuítas, que ali construíram sua igreja e seu colégio.

2A casa das escolhidas

O muro em frente fazia parte do Acllawasi, a «casa das acllas». Ali viviam mulheres selecionadas em todo o império, que teciam os panos mais finos e preparavam a chicha para as cerimônias. Com a chegada dos espanhóis, o recinto passou a mãos particulares e, no início do século XVII, ali se instalou o mosteiro de Santa Catalina, que até hoje ocupa o lugar.

Uma casa de mulheres consagradas ao Sol acabou virando um convento de freiras: a cidade colonial foi erguida, quase sempre, em cima da inca.

3O que observar

  • As fiadas regulares de blocos quase retangulares: é a técnica que os arqueólogos chamam de sedimentar ou celular, reservada a edifícios importantes.
  • A leve inclinação para dentro dos muros, traço típico da arquitetura inca que ajudava a resistir aos sismos.
  • O encontro de duas épocas: pedra inca embaixo, adobe caiado e sacadas coloniais em cima.

Caminhe sem pressa: o beco é plano, mas a altitude se faz sentir.

Documentado

Os muros da rua Loreto são identificados com os recintos incas de Amarukancha e Acllawasi, sobre os quais foram construídos a Companhia de Jesus e o mosteiro de Santa Catalina.

Fontes e créditos

Ministério da Cultura do Peru, Direção Desconcentrada de Cultura de Cusco; John Hemming e Edward Ranney, «Monuments of the Incas» (1982); Brian S. Bauer, «Ancient Cuzco: Heartland of the Inca» (2004).

Fotografias:

  • Rua Loreto, em Cusco, entre dois altos muros de pedra inca: Pavel Špindler, CC BY 3.0.

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