Este prediozinho é só a boca de entrada. Debaixo dos seus pés se estende um salão de 138 por 65 metros, com 336 colunas que saem da água na penumbra. Os turcos o chamam de Yerebatan Sarayı, «o palácio submerso».

1Água para o palácio

Justiniano mandou construí-la no século VI, sob uma grande basílica pública, daí o nome. Ela guardava uns oitenta mil metros cúbicos de água trazida por aquedutos para abastecer o Grande Palácio e os prédios ao redor. Muitas colunas são peças reaproveitadas de templos mais antigos, por isso não há duas iguais.

2O viajante que pescava no escuro

Depois da conquista, a cisterna foi esquecida. Em meados do século XVI, o erudito francês Pierre Gilles descobriu que os vizinhos tiravam água, e até peixes, por buracos no chão de suas casas. Conseguiu descer e a percorreu de barco, entre colunas que se perdiam na escuridão.

3As duas Medusas

No canto noroeste, duas colunas se apoiam em blocos com o rosto da Medusa: um de lado e outro de ponta-cabeça. Ninguém sabe de onde vieram.

A tradição diz que foram colocadas assim para anular seu olhar, que transformava em pedra; o mais provável é que os construtores só buscassem a altura certa.

Outra coluna é coberta de lágrimas esculpidas. Conta-se que choram pelos escravos que morreram na obra, embora seja um motivo decorativo conhecido como «olho de galinha».

4O que observar

  • O prédio de entrada, mínimo perto do que esconde.
  • O Milion, bem em frente, do outro lado da rua.
  • Se você descer, as duas cabeças de Medusa e a coluna das lágrimas.
Cabeça de Medusa colocada de lado na base de uma coluna da Cisterna da Basílica
Uma das duas Medusas do canto noroeste, colocada de lado.

Documentado

A cisterna foi construída sob Justiniano no século VI, tem 336 colunas e foi descrita por Pierre Gilles em meados do século XVI; as cabeças de Medusa são blocos reaproveitados de origem desconhecida.

Tradição oral

Que as Medusas tenham sido postas de ponta-cabeça para anular seu olhar e que a coluna chore pelos escravos mortos são explicações populares sem base documental.

Fontes e créditos

Pierre Gilles (Petrus Gyllius), «De topographia Constantinopoleos» (1561); Prefeitura Metropolitana de Istambul, site oficial da Cisterna da Basílica (Yerebatan Sarnıcı); Philipp Forchheimer e Josef Strzygowski, «Die byzantinischen Wasserbehälter von Konstantinopel» (1893).

Fotografias:

  • O prédio de entrada da Cisterna da Basílica, com faixas de pedra e tijolo: Dennis G. Jarvis, CC BY-SA 2.0.
  • Cabeça de Medusa colocada de lado na base de uma coluna da Cisterna da Basílica: Nan Palmero, CC BY 2.0.

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