Olhe para o chão em que você pisa. Debaixo desta rua tranquila se abre um salão enorme, sustentado por mais de duzentas colunas de mármore. É a cisterna de Binbirdirek, uma das maiores de Constantinopla, e durante séculos ninguém sabia que ela estava ali.
1Mil e uma colunas que são 224
O nome turco significa «mil e uma colunas», mas não leve ao pé da letra: em turco, «binbir», mil e um, é um jeito de dizer «um monte», como em «As mil e uma noites». Na verdade são 224. Cada uma é formada por dois fustes sobrepostos, unidos por um anel de mármore, que chegam a uns quinze metros. Muitas trazem letras gregas gravadas, provavelmente marcas dos canteiros.
2Um nome com lenda
Foi construída no século V ou VI, sob um palácio da nobreza bizantina. Os cronistas a chamaram de cisterna de Filoxeno.
Segundo a tradição, Filoxeno era um senador romano que chegou com Constantino e pagou a obra; nenhum documento da época confirma isso.
3Um salão esquecido
Depois da conquista otomana, deixou de ser usada. As casas cresceram por cima e a cisterna caiu no esquecimento. Foi redescoberta no século XVII, quando se construiu o palácio de Fazıl Paxá. Diz-se que mais tarde suas naves secas serviram de oficina; até o fim do século XX esteve cheia de entulho. Hoje, restaurada, recebe exposições e eventos.
4O que observar
- A entrada, discreta, que mal deixa imaginar o tamanho do salão.
- O nível da rua: o bairro inteiro está, literalmente, sobre as abóbadas.
- Se você descer, os anéis de mármore que unem cada par de fustes.
Documentado
A cisterna, de época bizantina, tem 224 colunas duplas; caiu em desuso depois de 1453 e foi redescoberta no século XVII.
Tradição oral
A identificação de Filoxeno como um senador chegado com Constantino que financiou a obra é uma tradição sem confirmação documental.
Fontes e créditos
Philipp Forchheimer e Josef Strzygowski, «Die byzantinischen Wasserbehälter von Konstantinopel» (1893); Hilary Sumner-Boyd e John Freely, «Strolling Through Istanbul» (1972); Wolfgang Müller-Wiener, «Bildlexikon zur Topographie Istanbuls» (1977).
Fotografias:
- Interior da cisterna de Binbirdirek com suas colunas duplas unidas por anéis: Goktugatesag, CC BY-SA 4.0.
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