Você está no Jirón de la Unión, a rua que liga a Praça San Martín à Plaza Mayor e que por gerações foi o passeio elegante de Lima. No meio do caminho, esta fachada escura, carregada de relevos, faz você parar.

1Mais antiga que a cidade

Os frades mercedários se instalaram neste terreno em 1534, um ano antes de Pizarro fundar oficialmente Lima. A primeira igreja era de madeira; a atual é a segunda, erguida em adobe e tijolo e consertada várias vezes depois dos terremotos. O de 1687 obrigou a rebaixar a torre, e o de 1746 a refazer a portada.

2Uma pedra que veio do mar

Repare no material. Lima é uma cidade de adobe, tijolo e quincha, uma espécie de pau a pique, sem pedreiras por perto. Por isso surpreende esta portada de granito, com colunas salomônicas em três corpos. Segundo a história da igreja, a pedra vinha do Panamá e chegava ao Callao como lastro dos galeões que voltavam carregados de prata.

Lá dentro é venerada a Virgem das Mercês, padroeira das Forças Armadas do Peru desde 1823. Na sua coroação, em 24 de setembro de 1921, ela recebeu o título de «Grande Marechala».

Na entrada há uma cruz onde fazia penitência frei Pedro Urraca, mercedário nascido em Jadraque, na Espanha, que morreu em Lima em 1657. Até hoje há fiéis que se ajoelham diante dela para pedir graças.

3O que observar

  • As colunas salomônicas, que parecem girar sobre si mesmas.
  • A Virgem das Mercês no nicho central da portada.
  • A cor da pedra, cinza e escura, diferente de tudo na rua.

Documentado

Os mercedários receberam este terreno em 1534; a torre foi rebaixada depois do terremoto de 1687 e a portada refeita depois do de 1746.

Fontes e créditos

Ministério da Cultura do Peru, declaração de Patrimônio Cultural da Nação (1972); Ordem das Mercês, Província do Peru; Antonio San Cristóbal, «Arquitectura virreinal religiosa de Lima».

Fotografias:

  • Portada barroca de pedra da basílica de La Merced no Jirón de la Unión: Hmaquin, CC BY-SA 4.0.

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