Você está sobre um lugar que Nova York esqueceu por quase duzentos anos. Entre o fim do século XVII e 1794, este terreno, então nos arredores da cidade, foi o cemitério onde eram enterrados os africanos, escravizados e livres, proibidos de usar os cemitérios das igrejas. Nos mapas da época ele aparece como «Negros Burial Ground».
1Uma cidade erguida com mão de obra escravizada
Muita gente esquece que a Nova York colonial dependia do trabalho escravo. Durante boa parte do século XVIII, quase uma em cada cinco pessoas da cidade vivia escravizada. O cemitério chegou a ocupar cerca de 2,7 hectares, e os historiadores calculam que entre 10 mil e 20 mil pessoas foram enterradas aqui. Depois o terreno foi aterrado, loteado e coberto de construções.
2A descoberta de 1991
Em 1991, durante a escavação para um novo prédio federal no número 290 da Broadway, surgiram sepultamentos intactos. Foram exumados os restos de 419 pessoas. Uma equipe da Universidade Howard, liderada pelo antropólogo Michael Blakey, estudou esses restos por anos: os ossos revelavam trabalho exaustivo desde a infância.
Em 2003, os restos voltaram à terra em caixões de madeira entalhados em Gana.
Em 2006 o lugar foi declarado monumento nacional. O memorial que você vê, de Rodney Léon, foi inaugurado em 2007.
3O que observar
- A Câmara Ancestral, de granito escuro, com o símbolo sankofa em forma de coração, que convida a olhar para o passado.
- O Círculo da Diáspora, com um mapa do Atlântico e símbolos da África Ocidental.
- Os sete montes de grama onde repousam os restos.
Documentado
O cemitério foi usado do fim do século XVII até 1794, foi redescoberto em 1991 e é monumento nacional desde 2006.
Fontes e créditos
National Park Service, African Burial Ground National Monument; Michael L. Blakey e Lesley M. Rankin-Hill (orgs.), «The New York African Burial Ground» (Howard University Press, 2009); General Services Administration, relatórios do projeto do 290 Broadway.
Fotografias:
- Memorial do African Burial Ground, com o muro circular de granito e a Câmara Ancestral: Dmadeo, CC BY-SA 3.0.
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