Olhe para cima, para o grande relógio azul e dourado da esquina. Desde 1370 ele marca as horas neste ponto: foi o primeiro relógio público de Paris, instalado por ordem de Carlos V e construído pelo relojoeiro Henri de Vic. A decoração atual, com duas figuras alegóricas, é da época de Henrique III e é atribuída a Germain Pilon.

1Do palácio dos reis à prisão

Estas paredes pertencem ao antigo palácio da Cité, residência dos reis da França durante a Idade Média. No século XIV, depois da revolta parisiense liderada por Étienne Marcel, Carlos V preferiu morar em outros lugares, e o palácio ficou para o Parlamento e a administração. O concierge, alto funcionário encarregado do prédio, deu nome à parte que acabou servindo de cadeia: a Conciergerie.

2A antessala da guilhotina

Em 1793, o Tribunal Revolucionário se instalou no palácio, e a Conciergerie virou a prisão de quem esperava julgamento. Milhares de detidos passaram por aqui. A mais célebre foi Maria Antonieta, presa de agosto de 1793 até 16 de outubro, quando saiu numa carroça rumo ao cadafalso.

Nos meses seguintes passaram por estas celas Danton, na primavera de 1794, e Robespierre, no fim do Terror.

3O que observar

  • O mostrador do relógio, com a flor-de-lis e as figuras da Lei e da Justiça.
  • As torres redondas voltadas para o cais, com telhados cônicos: medievais na base, muito restauradas no século XIX.
  • A torre com ameias menor, chamada Bonbec, no fim do conjunto.

Documentado

O relógio de Henri de Vic data de 1370, e Maria Antonieta ficou presa na Conciergerie de agosto de 1793 até sua execução, em 16 de outubro.

Fontes e créditos

Centre des monuments nationaux, site oficial da Conciergerie; Ministério da Cultura da França, base Mérimée (Palais de Justice); Jean Favier, «Paris. Deux mille ans d'histoire» (Fayard, 1997).

Fotografias:

  • Torre do Relógio da Conciergerie, na esquina do Boulevard du Palais: Chabe01, CC BY-SA 4.0.

Viu algum erro? Escreva para a gente e vamos revisar.