Debaixo destes arcos brancos pulsa a Lapa, o bairro da boemia carioca. Mas antes de virar cenário da noite, o aqueduto foi uma obra vital de engenharia… e alvo de sabotagens.

1Água para a cidade

Levar a água do rio Carioca até o Centro era uma obsessão desde 1602. Um primeiro aqueduto ficou pronto em 1723, mas já em 1727 havia queixas de falta d'água, e a culpa pelos canos quebrados recaiu sobre quilombolas escondidos na mata. O governador Gomes Freire de Andrade mandou refazê-lo em pedra e cal, e a obra atual, com 42 arcos duplos, foi inaugurada em 1750. Desde 1896, por cima não corre água, mas o bonde de Santa Teresa.

2O reino de Madame Satã

Nas primeiras décadas do século XX, a Lapa era um mundo de cabarés, casas de jogo e malandros. Sua figura mais lendária foi João Francisco dos Santos, nascido em Pernambuco por volta de 1900, que chegou ao bairro ainda menino e foi garçom, cozinheiro, capoeirista e artista transformista. O apelido Madame Satã veio de um delegado, depois do carnaval de 1938, quando ele venceu um concurso de fantasias com um traje inspirado num morcego.

Ele respondeu a cerca de trinta processos e passou, somando tudo, mais de 27 anos na prisão. A Lapa o transformou em mito, e o mito cresceu a cada versão.

Morreu em 1976, e sua vida inspirou o filme Madame Satã (2002).

3O que observar

  • Os dois andares de arcos e os óculos da parte de cima.
  • O bondinho amarelo, se passar por cima.
  • A catedral cônica, que aparece atrás dos arcos.

Documentado

O aqueduto atual foi inaugurado em 1750 e desde 1896 serve de viaduto para o bonde; João Francisco dos Santos, o Madame Satã, viveu na Lapa e morreu em 1976.

Tradição oral

Muitas façanhas atribuídas a Madame Satã nas ruas da Lapa fazem parte do mito popular e nem sempre podem ser comprovadas.

Fontes e créditos

IPHAN, ficha do Aqueduto da Carioca; Wikipédia em português, «Arcos da Lapa» e «Madame Satã»; Rogério Durst, Madame Satã: com o diabo no corpo (Brasiliense, 1985).

Fotografias:

  • Os Arcos da Lapa brancos com a catedral cônica ao fundo: Mike Peel, CC BY-SA 4.0.

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