Da mureta da Via dei Fori Imperiali você vê, a seus pés, o que restou do Fórum de Augusto. Otaviano o prometeu na batalha de Filipos, em 42 a.C., quando jurou vingar o assassinato do pai adotivo, Júlio César. E cumpriu: o templo de Marte Ultor, «o Vingador», dominava a praça e foi inaugurado no ano 2 a.C.

1Um muro contra o fogo e contra o bairro

Atrás do templo se ergue um muro de blocos de pedra com cerca de 30 metros de altura. Ele separava o fórum da Suburra, o bairro popular e superlotado onde os incêndios eram frequentes. Repare que o recinto não é totalmente simétrico: segundo Suetônio, Augusto não quis desapropriar as casas vizinhas, e o fórum acabou mais estreito do que o previsto.

Nos pórticos laterais havia estátuas dos grandes homens de Roma e dos antepassados da família Júlia, desde Eneias e Rômulo. Era uma galeria de propaganda: toda a história de Roma desembocava em Augusto.

2Uma avenida que partiu a história ao meio

A rua em que você está é bem mais recente. Mussolini a inaugurou em 1932 com o nome de Via dell'Impero, para ligar o Coliseu à praça Veneza, onde ficava seu gabinete. Para abri-la, o bairro Alessandrino foi demolido e boa parte dos fóruns voltou a ser coberta. Do outro lado da avenida aparecem o Fórum de César e, mais adiante, os Mercados de Trajano, escalonados na encosta.

3O que observar

  • As três colunas coríntias do templo de Marte Ultor que continuam de pé.
  • O grande muro de pedra que fecha o fundo, com seu traçado irregular.
  • A Casa dos Cavaleiros de Rodes, com sua galeria, construída sobre as ruínas.

Documentado

O templo de Marte Ultor foi prometido por Otaviano em Filipos (42 a.C.) e dedicado em 2 a.C.; a Via dell'Impero foi inaugurada em 1932.

Fontes e créditos

Sovrintendenza Capitolina, Mercati di Traiano – Museo dei Fori Imperiali (site oficial); Suetônio, «Vida de Augusto», 29 e 56; Paul Zanker, «The Power of Images in the Age of Augustus» (University of Michigan Press).

Fotografias:

  • Ruínas do Fórum de Augusto com as colunas do templo de Marte Ultor e o grande muro: José Luiz, CC BY-SA 4.0.

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