Diante de você está o morro Santa Lucía, que os povos originários chamavam de Huelén. O nome costuma ser traduzido como «dor» ou «desgraça», embora a origem exata da palavra ainda seja discutida. Daqui, Pedro de Valdivia contemplou o vale antes de fundar a cidade.

1Um cemitério para os excluídos

Durante boa parte do século XIX, a Igreja Católica não permitia enterrar em seus cemitérios quem não professava a sua fé. Protestantes e outros dissidentes, muitos deles comerciantes e marinheiros estrangeiros, acabavam sepultados nas encostas deste morro, que na época era um penhasco árido usado até como depósito de lixo.

Quando Benjamín Vicuña Mackenna, intendente de Santiago, transformou o morro em passeio entre 1872 e 1874, mandou colocar uma placa em memória daqueles mortos, que ele descrevia como desterrados «do céu e da terra». O texto exato varia conforme as fontes.

2O túmulo do intendente

Vicuña Mackenna morreu em 1886 e foi enterrado na ermida neogótica que ele mesmo mandou construir no alto do morro. Ali descansam também a esposa e os filhos. Segundo o museu que leva o seu nome, no campanário da ermida está um dos sinos da igreja da Companhia, a que pegou fogo em 1863: um fio que une a primeira e a última parada deste roteiro.

Há quem garanta que, à noite, o morro fica cheio de presenças. O que está documentado é que, sob seus jardins, descansaram por décadas aqueles que não tinham onde descansar.

3O que observar

  • A fonte de Netuno e as escadarias do terraço, de 1903.
  • As muralhas com ameias do Castelo Hidalgo, no alto.
  • A silhueta da ermida, entre as árvores do topo.

Documentado

O morro foi transformado em passeio por Vicuña Mackenna entre 1872 e 1874; em suas encostas foram enterrados dissidentes não católicos, e o próprio intendente repousa na ermida desde 1886.

Tradição oral

As presenças noturnas do morro pertencem às lendas urbanas; a procedência do sino é registrada segundo o Museu Benjamín Vicuña Mackenna.

Fontes e créditos

Museo Nacional Benjamín Vicuña Mackenna, «El cerro Santa Lucía ayer y hoy»; Benjamín Vicuña Mackenna, Álbum del Santa Lucía (1874); Humberto Lagos Schuffeneger, Herejía en Chile: evangélicos y protestantes desde la colonia hasta 1925 (2010).

Fotografias:

  • Terraço Netuno do morro Santa Lucía visto do alto, entre palmeiras: Marcelo Ois Lagarde, CC BY-SA 3.0.

Viu algum erro? Escreva para a gente e vamos revisar.