Olhe para o chão da praça: sob essa lâmina de vidro coberta de água estão os alicerces de Valência. Aqui, atrás da catedral, a prefeitura escavou a partir de 1985 o coração da cidade romana, e hoje o sítio arqueológico de L'Almoina pode ser visto de cima, como através de um espelho d'água.

1O nascimento de Valentia

Segundo o resumo da obra de Tito Lívio, o cônsul Décimo Júnio Bruto entregou terras e uma cidade a soldados que tinham lutado nas guerras lusitanas. Assim nasceu Valentia, em 138 a.C. É por isso que a praça leva o nome do cônsul. Muito perto daqui se cruzavam as duas ruas principais, o cardo e o decúmano, e aqui ficava o fórum.

2Uma cidade arrasada

Em 75 a.C., durante a guerra entre Sertório e Pompeu, Valentia foi destruída. Os arqueólogos encontraram neste terreno um rastro arrepiante daquele episódio: os restos de vários homens executados com violência, provavelmente soldados. A cidade levou décadas para se recuperar.

3Camadas de história

Sobre o nível romano se sobrepõem termas, um batistério e uma cabeceira de época visigoda ligada ao culto de são Vicente mártir e, mais acima, restos do alcácer islâmico. O nome L'Almoina, «a esmola», lembra a casa onde o cabido da catedral distribuía caridade na Idade Média.

Poucas cidades deixam você espiar o próprio nascimento a partir de uma praça.

4O que observar

  • A cobertura de vidro e água, rente ao chão, com as ruínas embaixo.
  • A porta da Almoina da catedral, românica, a mais antiga do templo.
  • A cabeceira gótica da catedral, que fecha a praça a oeste.

Documentado

Valentia foi fundada em 138 a.C., segundo a tradição textual de Tito Lívio, e destruída em 75 a.C.; as escavações municipais em L'Almoina começaram em 1985.

Fontes e créditos

Ajuntament de València, Centre Arqueològic de l'Almoina (cultural.valencia.es); Tito Lívio, Periochae, livro 55; Albert Ribera i Lacomba, publicações do Servei d'Investigació Arqueològica Municipal sobre a Valentia romana e visigoda.

Fotografias:

  • A praça da Almoina, com o espelho d'água sobre o sítio arqueológico e a cúpula da basílica dos Desamparados ao fundo: Dorieo, CC BY-SA 4.0.

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