À sua frente está a catedral anglicana da Cidade do Cabo. A arquitetura é tranquila, quase inglesa. A história recente, nem tanto: aqui se escreveu um dos capítulos mais corajosos da luta contra o apartheid.

1Uma catedral feita aos poucos

Neste terreno houve antes uma igreja em estilo grego, inaugurada em 1834. O edifício atual foi projetado por Herbert Baker, o arquiteto do império britânico no sul da África, e sua pedra fundamental foi lançada em 1901 pelo futuro rei Jorge V. As obras andaram devagar, e o transepto só ficou pronto em 1936.

2A catedral do povo

Em 1986, Desmond Tutu se tornou o primeiro arcebispo negro da Cidade do Cabo. Desde então, estas escadas foram ponto de partida de protestos e abrigo para ativistas de todas as origens. Em 13 de setembro de 1989, uma semana depois de eleições só para brancos em que a polícia matou mais de vinte pessoas nos bairros da periferia, cerca de 30 mil pessoas saíram daqui e desceram a Adderley Street até a Grand Parade.

«Somos o povo arco-íris», disse Tutu diante da multidão. A expressão acabaria dando nome à nova África do Sul.

A marcha era ilegal sob o estado de emergência, mas o governo de De Klerk decidiu não reprimi-la. Muitos historiadores a veem como o primeiro passo da transição. Tutu morreu em dezembro de 2021 e seus restos repousam dentro da catedral, diante do altar-mor.

3O que observar

  • A escadaria, palco de tantos protestos.
  • A placa da marcha pela paz de 1989, do lado de fora.
  • O campanário moderno, com dez sinos; o maior se chama «Good Hope».

Documentado

A catedral foi construída a partir de 1901 com projeto de Herbert Baker; a marcha pela paz de 13 de setembro de 1989 partiu daqui e Desmond Tutu está sepultado em seu interior.

Fontes e créditos

St George's Cathedral (site oficial, história da catedral); Desmond & Leah Tutu Legacy Foundation; South African History Online (SAHO), «Cape Town peace march».

Fotografias:

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