Repare no que você tem diante de si: um templo de madeira de 1808 encaixado debaixo de um prédio moderno, em plena avenida Midōsuji. É o Mitsu-dera, que os moradores chamam com carinho de «Mitterasan».
1Uma canforeira e um monge
Segundo a tradição do templo, tudo começou quando o monge Gyōki plantou aqui uma canforeira e, em 744, por ordem do imperador Shōmu, ergueu um pavilhão dedicado a Kannon de onze cabeças. Aqui havia então um porto, Mitsu, que deu nome ao templo. O edifício atual foi reconstruído em 1808, depois de um incêndio.
No século XX, ao alargarem a Midōsuji, uma grande canforeira do templo foi derrubada. Com a madeira dela foi esculpida a atual imagem principal, que é secreta e não é mostrada ao público.
2O templo que não queimou
Em março de 1945 os bombardeios arrasaram Minami, mas o pavilhão principal escapou. Entre 2020 e 2021, para construir o prédio que hoje o cobre, ele foi deslocado inteiro sobre roletes, sem ser desmontado.
No conto «Mameda», um pequeno tanuki paga com folhas de ginkgo transformadas em dinheiro e acaba enterrado neste templo, coberto de folhas amarelas.
É um rakugo, um monólogo cômico, escrito por Mita Jun'ichi em 1966 e estreado pelo grande Katsura Beichō, inspirado em histórias do bairro dos teatros. Não é história, mas aqui todo mundo conhece.
3O que observar
- Os crisântemos nas telhas, pelo antigo vínculo com o templo imperial de Ninna-ji.
- O contraste entre o telhado de 1808 e a fachada moderna.
- Os ginkgos da Midōsuji, como os do conto.
Documentado
O pavilhão principal do Mitsu-dera foi reconstruído em 1808, sobreviveu aos bombardeios de 1945 e foi deslocado em 2020-2021 para integrá-lo a um prédio novo.
Tradição oral
A fundação por Gyōki em 744 é tradição do templo, e o tanuki de «Mameda» é um personagem de ficção do rakugo.
Fontes e créditos
Templo Mitsu-dera (informações do templo); Secretaria de Turismo de Osaka (Osaka Info), ficha do Mitsu-dera; Wikipédia em japonês, «三津寺» e «まめだ».
Fotografias:
- Fachada de madeira do pavilhão principal de Mitsu-dera, com telhado de telhas cinza: KENPEI, CC BY-SA 3.0.
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