Diante de você se estende Liúlíchǎng, «a fábrica de telhas vitrificadas». O nome não tem nada de literário, mas esta é, há mais de dois séculos, a rua dos livros, da caligrafia e da pintura de Pequim.
1Um forno imperial
Na época mongol havia aqui um forno que queimava telhas vitrificadas. Com os Ming, tornou-se uma das cinco grandes fábricas do Ministério de Obras, e daqui saíram muitas das telhas amarelas que cobrem os palácios. Quando a cidade cresceu ao redor, os fornos foram levados para os arredores, mas o nome ficou.
2O bairro dos eruditos
Com os Qing, muitos funcionários e candidatos aos exames imperiais vindos do sul se hospedavam nesta parte da cidade. Quando, a partir de 1773, o imperador Qianlong mandou compilar a «Siku quanshu», a maior coleção de livros da história chinesa, os eruditos que trabalhavam nela vinham aqui atrás de edições raras. As livrarias se multiplicaram, e com elas os vendedores de pincéis, tinta, papel e pedras de moer tinta: os «quatro tesouros do estúdio».
Lu Xun, o grande escritor do século XX, andava muito por aqui, como ele mesmo conta em seu diário.
Em 1926 uma avenida cortou a rua em duas metades, a leste e a oeste. Nos anos 1980 as fachadas foram reconstruídas. A casa mais famosa, a Rongbaozhai, herdeira de uma loja de papel da época Kangxi, é célebre por suas reproduções de pintura em xilogravura.
3O que observar
- As vitrines de pincéis, organizados por tamanho e tipo de pelo.
- Os letreiros pretos e dourados, muitos com caligrafias de personagens célebres.
- Os carimbos de pedra, gravados sob encomenda.
Documentado
Em Liulichang houve um forno de telhas vitrificadas das fábricas imperiais e, a partir do século XVIII, a rua se tornou o principal mercado de livros e antiguidades de Pequim.
Fontes e créditos
Susan Naquin, «Peking: Temples and City Life, 1400-1900» (2000); Lu Xun, «Diário» (edição de suas obras completas); Governo do distrito de Xicheng, informações sobre a rua cultural de Liulichang.
Fotografias:
- Uma livraria tradicional de Liulichang com telhado cinza, colunas vermelhas e letreiros pretos e dourados: Gerd Eichmann, CC BY-SA 4.0.
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