Diante de você se ergue La Merced, uma igreja toda branca, de cúpulas e muros caiados, com a torre mais alta da Quito colonial. Por fora é sóbria; por dentro, uma explosão de dourados e de relevos de gesso branco.
1Três igrejas no mesmo lugar
Os mercedários chegaram com os primeiros espanhóis e tiveram aqui seu templo desde o século XVI. A terra se encarregou de derrubá-lo: o terremoto de 1645, os tremores da erupção do Pichincha em 1660 e o sismo de 1698 deixaram a segunda igreja tão danificada que foi preciso recomeçar. A atual começou a ser construída em 1701, segundo plantas do arquiteto quitenho José Jaime Ortiz; a torre ficou pronta em 1736 e o templo foi consagrado em meados do século XVIII.
2A Primeira Vizinha
No retábulo-mor, entalhado por Bernardo de Legarda, um dos grandes nomes da Escola Quitenha, é venerada uma antiga imagem de pedra da Virgem das Mercês. Os quitenhos atribuem a ela a proteção contra terremotos e erupções, e a prefeitura a considera a «Primeira Vizinha» da cidade. Lá dentro há quadros que mostram o Pichincha em erupção sobre os telhados de Quito.
Uma lenda local garante que a torre é a única parte do templo que nunca foi abençoada, e que por isso o diabo a considera sua.
O convento guarda ainda uma biblioteca histórica com cerca de 22.000 volumes, restaurada nos anos 1990 com apoio do Instituto Getty.
3O que observar
- A torre, concluída em 1736.
- As cúpulas brancas escalonadas sobre a nave.
- As portadas de pedra, escuras sobre o muro caiado.
Documentado
A igreja atual começou a ser construída em 1701, depois dos danos dos terremotos do século XVII; a torre ficou pronta em 1736 e o retábulo-mor é obra de Bernardo de Legarda.
Tradição oral
Que a torre não seja abençoada e pertença ao diabo é uma lenda local.
Fontes e créditos
Basílica de Nuestra Señora de la Merced (Ordem das Mercês, Quito); Getty Conservation Institute, projeto da biblioteca de La Merced; José Gabriel Navarro, «Contribuciones a la historia del arte en el Ecuador».
Fotografias:
- Torre e cúpulas brancas da Basílica de La Merced: Diego Delso, CC BY-SA 4.0.
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